Uma reflexão sobre as tendências de mercado sobre nutrição e emagrecimento.
Eu tenho 43 anos de idade. Quando eu tinha entre 12 e 25 anos morria de medo de ?pegar? AIDS. Por que? Matava. Pessoas famosas morreram devido ao vírus HIV (Cazuza, Renato Russo, Henfil, Freddie Mercury). Os adolescentes de hoje se preocupam muito menos com isso, pois existem medicamentos eficazes que controlam a infecção. O número de mortos caiu assim como em diversas outras doenças em que a medicina evoluiu em direção ao controle ou à cura. Agora olhe para o gráfico e dê atenção às linhas que correspondem a diabetes e a obesidade (azul e vermelha):

A projeção para 2030 não é nada boa. Números de obesos e de diabéticos estão crescendo cada vez mais. E aí? Estamos no caminho correto ou na contra-mão? Todos os esforços não produziram resultado algum e indicam que pegamos a estrada em direção à Recife querendo chegar em Porto Alegre.

Sei que é difícil aceitar isso, mas quanto mais se prega a disciplina, o foco, a restrição para comer bem e ter saúde, mais nos afastamos de conseguir melhorar os números. Temos que encarar as estatísticas de resolutividade de dietas: menos de 1% de sucesso quando se pensa em 5 anos adiante. Remédios? Cirurgias? Possuem efeitos colaterais tão ruins quanto os da obesidade e diabetes e ainda, infelizmente, não se mostraram eficazes para melhorar as estatísticas e mudar o curso da doença.
Houve um aumento de 158% de internações por infarto nos últimos anos no país. Indica que também tem algo de errado. Um ponto fundamental: Quanto mais distante do controle e perto do caos, mais margem se dá para charlatanismo ou novas esperanças capitalistas. Com cada dieta da moda ou composto milagroso vem uma esperança de ?agora vai?. A promessa de resultado com novos medicamentos ou suplementos se esvai após 5 anos. Gastamos cada vez mais dinheiro tentando ter saúde, e os números mostram que quanto mais visitamos as farmácias e as lojas de suplementos, pior são os números de saúde. Esses dados sim andam de mãos dadas: gasto com saúde e problemas de saúde.
Falar que açúcar ou salsicha são venenos não diminui o consumo de doces e nem quantidade de carrocinhas de cachorro quente. Pelo contrário, faz as pessoas comerem com culpa e se sentirem fracassadas ou que estão em um beco sem saída (aliás, a saída seria eu me aceitar e rezar para não ter diabetes e outros problemas relacionados à síndrome metabólica). Cria-se um péssimo ciclo do ?eu como, mas não deveria estar comendo? e este pensamento nos afasta cada vez mais da paz nutricional.
A OMS recentemente se pronunciou contra o uso de adoçantes em quase todas as situações. Isso mostra o quanto a ciência bate cabeça e confunde a população. Estamos perdidos literalmente. Sem um norte e um caminho. ?Se não posso mais usar adoçante, como eu faço para comer um doce que tanto amo e faz parte da rotina do almoço de domingo?? - ?Seja forte, focado, disciplinado e resista? - essa é a resposta que nos dão hoje. Adoçante, comentário cientificamente respaldado, só serviu para aumentar a venda dos zero açúcar e para diminuir a culpa em quem quer ter um prazer vindo de uma comida doce. Estatisticamente falando, não mudou o curso da obesidade e do diabetes como se esperava.
Aí você pode perguntar: ?qual é a solução?? Seria prepotente da minha parte falar que tenho a resposta. O que eu sei é o que está na nossa cara, mas que não queremos enxergar.
Estamos no caminho errado quando:
1- pregamos as proibições e terrorismo dizendo que tal alimento deveria ficar fora do nosso cardápio;
2- quando falamos que o resultado depende da disciplina, foco e força de vontade de cada um;
3- depositamos esperança em alguma estratégia nutricional, suplemento, remédio e qualquer outro composto. Nenhum se mostrou eficaz (pelo contrário, estão só piorando as coisas) até o ano atual (2023).
Os números de 1970, 80 ou 90 eram muito melhores do que os de hoje. As pessoas eram mais focadas e disciplinadas do que hoje em dia? Claro que não!!!
Hoje as pessoas dão até mais valor à vida e à saúde do que antes. Frequentam academia, lotam praças e espaços públicos para a prática esportiva. Compare hoje com duas ou três décadas atrás. Antes de 1980 praticamente ninguém tinha ido em uma consulta com um nutricionista. Não se preocupava com a alimentação. Temos mais informações sobre os malefícios de maus hábitos alimentares e do sedentarismo. Informação não falta. Como dito, falta enxergar que o caminho está errado e está na hora de mudar o discurso nutricional.
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